São Paulo, 25 de julho de 2007
XXXIV CONAP da ANPG - Associação Nacional dos Pós-Graduandos
Avaliando as metas do PNPG e os rumos da pesquisa no Brasil
Reunidos em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina, para discutir os rumos da pesquisa no Brasil, trinta participantes, de doze Estados e cinco regiões da Federação Brasileira, sendo 19 deles delegados por suas APGs, discutiram temas como os desafios da Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento do Brasil, os dois anos do PNPG e a efetivação de uma política nacional de pós-graduação.
A mesa de abertura do XXXIV CONAP, no dia 23/06/07, contou a presença dos seguintes participantes e apoiadores do encontro, que saudaram a realização do evento principalmente pela qualidade dos temas propostos e a representatividade dos Estados, o que amplia a valoriza bastante a discussão . Participaram o Prof.Valdir Soldi, Pró-Reitor de Pós-Graduação da UFSC e Prof. Thereza, Pró-reitora de Pesquisa da UFSC, que sediaram o evento, Prof. Diomário de Queiroz, Presidente da FAPESC e Representante do CONSECTI, Prof. Mário Steindel, representante da SBPC de Santa Catarina, Sérgio Grande, Deputado Estadual e Representante da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, Luiza Rangel, Presidente da ANPG, Salomão Almeida, da APG da UFSC e André Vitral, representante da UNE e do DCE da UFSC.
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Mesa de abertura do XXIV CONAP
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Após a rápida abertura, foi realizada uma apresentação cultural com os contadores de histórias locais Dna. Inês e Zé Manoel. Eles contaram uma lenda do surgimento da ilha de Florianópolis, que tinha Joaquina como personagem principal, uma criança negra que vivia num porto imaginário e sonhava em ajudar na construção de um mundo melhor. Joaquina cresceu e tornou-se uma linda mulher, queria aprender muitas coisas para ensinar as pessoas, não queria mais ficar isolada do mundo no portinho que vivia. Todas as noites ela via homens chegando e partindo de navio no porto, numa destas noites resolveu se fantasiar de homem e conseguiu embarcar no navio. O comandante do navio logo que viu Joaquina disfarçada, apaixonou-se por aquela figura, mas achou muito estranho, pois nunca havia se apaixonado por um homem. Descobriu a verdade de que Joaquina era uma mulher disfarçada e esta lhe explicou seus motivos. Porém outros homens descobriram e também se apaixonaram por ela. Então o comandante deu-lhe uma estrela e disse que quando sentisse saudades dele a apontasse para o céu e jogou Joaquina na água. Joaquina veio parar na Ilha de Florianópolis, e fez muitas coisas que contribuíram para o desenvolvimento do povoado local, ensinando, por exemplo, as mulheres a rendarem, fazerem doces e cuidava das crianças órfãs. Até que um dia sentiu muitas saudades do comandante e apontou a estrela para o sol e como num passe de mágica, ele apareceu e eles ficaram juntos na ilha, fizeram muitas benfeitorias e tiveram dois filhos, uma menina e um menino, além dos órfãos adotados. Quando Joaquina morreu, o povoado chorou muito, tinham muito carinho por ela. Mas ninguém chorou mais que seu marido, sua filha e seu filho. A menina, que era negra como a mãe chorou tanto que formou a Lagoa da Conceição, o filho, que era branco como pai, formou a lagoa do Peri e seu marido, tão entristecido com a morte de uma pessoa tão generosa, tanto chorou que formou a Lagoinha do Leste.
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Os contadores de história – Dna Inês e Zé Manoel
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Logo após a apresentação cultural, os professores Diomário de Queiroz, Presidente da FAPESC e Representante do CONSECTI, Mário Steindel, representante da SBPC Santa Catarina e, mediando os trabalhos, o Vice-Presidente da ANPG Allan Aroni discutiram com os pós-graduandos os desafios da Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento do Brasil. Na ocasião, a Presidente da ANPG Luiza Rangel, comentou que o professor Diomário, na época em que foi reitor da UFSC era considerado amigo dos estudantes e que agora também é amigo dos pós-graduandos. Para o professor, o primeiro desafio da educação, C&T e Inovação no Brasil é o desenvolvimento sustentável com distribuição de renda justa entre todos os brasileiros, pois é um inconformado com as condições de vida de nosso país, que tem 13 milhões de analfabetos. Tocou também nos pontos da responsabilidade social e desafios das IES (Instituições de Ensino Superior), que hoje concentram boa parte da C&T produzida no Brasil.
Já o professor Mário concentrou-se em mostrar um quadro geral sobre a produção científica nacional, que vem demonstrando um crescimento significativo, mas ainda não suficiente para contribuir com o grau de necessidade que o país precisa para seu desenvolvimento econômico e social.
Em 1980 existiam 1.000 grupos de pesquisas e em 2004 esse número passou para 19.470. Porém, 51,8% dos grupos estão concentrados na região Sudeste e 23% na Sul, restando um pequeno percentual para as regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, regiões que representam também menor percentual no PIB brasileiro, existindo a necessidade de ampliação dos investimentos prioritariamente para essas regiões, visando o desenvolvimento econômico e social das mesmas.
“O Brasil em 1980 era responsável por 0,37% da produção mundial, em 2004 passou para 1,4% e hoje está na 6º posição de publicação de artigos científicos: 17.000. Existem 2.453 programas de pós-graduação reconhecidos pela CAPES e poucos cursos com notas 6 e 7 concentrados nas mesmas regiões sudeste e sul acima citadas. Existem 243 mil professores no ensino superior, destes apenas 24 % com doutorado e 35% com mestrado, lembrando que a evolução dos programas de doutorado depende da formação do corpo docente. Em 2006 o Brasil tinha 8.989 doutores e 30.746 mestres, a demanda por cursos de mestrados e doutorados cresce 10%a.a. atualmente, por isso é necessário o aumento de recursos para a concessão de bolsas, pois estas atendem hoje apenas 1/3 dos estudantes da pós-graduação. Além disso, existem grandes desafios, tais como, melhorar a produção de patentes e a integração da universidade e as empresas nacionais visando maior competitividade internacional do Brasil com a produção de bens de alto valor agregado, deixando este de ser mero produtor de bens primários (produtos agrícolas). Para isso temos que ter bem definido um projeto de Brasil, pois não adianta querermos nos destacar em tudo, temos que concentrar no que for considerado prioridade e estratégico para o nosso desenvolvimento.”
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Mesa os desafios da Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento do Brasil
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Na parte da tarde ocorreu o debate sobre os Dois anos de PNPG – Efetivação de uma política nacional de pós-graduação, com os professores José Luiz Fontes Monteiro, Presidente do FOPROP, Valdir Soldi, Pró-Reitor de Pós-Graduação da UFSC, Luciano Rezende, representante da OCLAE, André Vitral, representante da UNE e do DCE da UFSC e como mediador o Diretor de Residência Médica Francisco Morgadouro. Na discussão foram levantados temas importantes como um histórico de intenções dos PNPGs lançados anteriormente e o atual, as assimetrias regionais e de produção científica nas áreas do conhecimento, absorção de mestres e doutores no mercado de trabalho e a questão do desenvolvimento industrial do país que há tempos está desfocado da política de C&T.
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Dois anos de PNPG – Efetivação de uma política nacional de pós-graduação
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Na manhã do dia 24/07/07 visando fortalecer a rede do movimento de pós-graduação no Brasil, cada APG presente teve um espaço para exposição das condições dos programas de pós-graduação em suas respectivas universidades, problemas enfrentados, mobilização e eventos locais realizados.
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O Estudante de pós-graduação Lissandro Nascimento da FACOL – PE, dando informes sobre sua universidade. |
Ocorreram também informes de algumas pastas da diretoria da ANPG. Dentre os temas expostos estavam o apoio da rede de APGs para estruturação financeira própria e da ANPG através da campanha de carteiras de meia-entrada para estudantes, hoje fornecidas em parceria da ANPG com a UNE. Nesta ocasião foram confeccionados cartazes da campanha de carteiras para que cada APG levasse para sua região. Levantou-se e a necessidade de material de divulgação de dois temas prioritários: a questão da aprovação do PL de Bolsas da pós-graduação e Absorção de Jovens mestres e doutores no mercado de trabalho. Outra conquista anunciada foi a efetivação da sede Nacional da ANPG na Sede das Entidades Estudantis em São Paulo (Rua Vergueiro) para o início do próximo semestre.
Foi lançado o regulamento da primeira revista científica da ANPG, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2007. Foram dados informes sobre a luta da residência médica, bem como a atuação do diretor Francisco Morgadouro na segunda suplência do Conselho Nacional de Saúde, no qual a ANPG possui uma cadeira. A presidente Luiza Rangel deu informes sobre sua atuação no Conselho Nacional de Juventude. O ex-presidente da ANPG e atual representante da OCLAE, reafirmou a importância da participação dos pós-graduandos no Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes de 12 a 17 de Novembro de 2007, na cidade de Quito, Equador.
Ao final do evento foi lida uma carta de intenções dos estudantes da pós-graduação reunidos em Florianópolis e com uma grande salva de palmas terminou o XXXIV CONAP.
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Participantes do XXXIV CONAP
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Agradecimento especial ao comitê organizador: diretoria da ANPG e APG UFSC
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- APGs e Comissões Pró-APG presentes:
- APG PUC – SP
- APG USP
- APOGEEU UNICAMP
- APGQ UNICAMP
- APG UFSCAR
- APG UFRN
- APG UFRO
- APG UFMT
- APG UFRJ
- APG FACOL – PE
- APG UFLA
- APG UFSC
- APG UFPA
- APG UFAL
- APG UNB
FEPODI
AMERESP
26/07/07
Da redação,
Silvia S. Barchiesi
Diretoria de Comunicação
Fonte: http://www.anpg.org.br