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São Paulo, 23 de junho de 2009


Universidade Aberta à Maturidade abre matrículas no campus Barueri

Estão abertas as inscrições para a Universidade Aberta à Maturidade no campus Barueri. Promovido pela Cogeae/PUC-SP, o curso é voltado a homens e mulheres acima dos 40 anos de idade e oferece, além das atividades curriculares, programas optativos como iniciação à informática, danças contemporâneas, oficina de canto coral, oficina de tai chi chuan e língua espanhola.

“O curso, em vista da diversidade dos assuntos tratados, é uma grande universidade e dá ao aluno uma visão mais holística da vida. À exceção das ciências exatas, temos todas as áreas dentro da Universidade Aberta à Maturidade. Abordamos História, Geografia, Direito, Filosofia, Antropologia, Sociologia, Política, Biologia, Economia, Administração, Arte, Música, Dança... Nenhum outro curso oferece essa diversidade de matérias”, afirma o professor Antônio Jordão Netto, um dos coordenadores do curso, ao lado do professor Fauze Saad. “Abordamos o envelhecimento como um processo natural, dinâmico e irreversível, que deve ser tratado de forma alegre e descontraída, encarando a passagem do tempo e trabalhando o corpo para ter autonomia e independência a vida toda. Mais do que uma proposta educacional, o curso se tornou uma proposta social muito significativa”, completa.

A Universidade Aberta à Maturidade da PUC-SP trabalha com o princípio da “Pedagogia do Prazer”, que valoriza a participação do aluno e seu envolvimento no próprio aprendizado. Para Jordão, as universidades da terceira idade são uma oportunidade de resgatar os valores, a auto-estima e auto-imagem dessas pessoas: “É também uma maneira de incentivá-las a lutar pelo respeito aos direitos dos idosos que assim, estarão exercendo o papel de cidadãos conscientes", declara.

ENVELHECIMENTO – Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2008, a parcela da população com 70 anos ou mais de idade representava 4,22% – enquanto as crianças de 0 a 14 anos correspondiam a 26,47% da população total. Em 2030, porém, os idosos ultrapassarão os 8,63% da população total e o segundo grupo representará 16,99%. Ainda segundo o IBGE, enquanto cai o número de nascimentos, o brasileiro vive mais: se em 1940 a vida média do brasileiro mal atingia os 50 anos de idade, hoje esse indicador está em 77 anos para as mulheres e 69,4 para os homens. De acordo com as projeções do Instituto, o Brasil continuará galgando anos na vida média de sua população, e deverá alcançar, em 2050, o patamar de 81,29 anos – nível atual de países como Islândia (81,80), China (82,20) e Japão (82,60).

Este cenário indica um processo de envelhecimento dos brasileiros, e portanto, é cada vez mais importante a inclusão do idoso na sociedade. Os dados sugerem a necessidade de reestruturações no mercado de trabalho, nos sistemas público e privado de saúde – e, também, pois, no sistema educacional. A primeira instituição de ensino a oferecer um curso totalmente voltado para os idosos foi a Université du Troisième Age, em 1973, na cidade de Toulouse (França); no Brasil, o primeiro curso focado a alunos da terceira idade foi fundado em 1977 no Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc-SP).

A criação da Política Nacional do Idoso, que traçou os direitos desse público, foi um importante passo para as universidades criarem e consolidarem cursos voltados à terceira idade no Brasil. Por meio da Lei 8.842, de 1994, as instituições de ensino superior passaram a se adaptar a fim de atender a determinação da Lei – que prevê a existência de cursos de Geriatria (especialidade da Medicina que trata da saúde do idoso) e Gerontologia (ciência que estuda o envelhecimento), nas Faculdades de Medicina brasileiras. Além disso, o Estatuto do Idoso, implantado na mesma época, assegura a essas pessoas o direito à educação com adequação dos currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados.

Na cidade de São Paulo, a PUC-SP tornou-se pioneira antes mesmo do lançamento das políticas públicas na área, ao iniciar em 1991 um projeto piloto de educação permanente (a Universidade Aberta à Terceira Idade), por iniciativa do professor Jordão. No ano seguinte, o projeto foi transformado em Programa de Educação Permanente, apoiado pelo Departamento de Fundamentos de Educação da Faculdade de Educação. Mais tarde, em 2000, o nome foi mudado para Universidade Aberta à Maturidade.

“O curso começou com 30 alunos e foi previsto para durar três semestres, mas os alunos não queriam sair. Passamos então para quatro semestres, e estamos sempre atualizando o programa. Atualmente temos 100 disciplinas e 15 classes, das quais 11 são de alunos veteranos que já fizeram as quatro fases. Nosso curso tem essa característica: tem tempo pra começar, mas não pra acabar”, explica o professor.

A Universidade Aberta à Maturidade será oferecida pela primeira vez no campus Barueri da PUC-SP (av. Sebastião Davino dos Reis, 786), a partir do segundo semestre. O curso tem início dia 4/8, e as aulas acontecem sempre as terças e quintas-feiras, das 13h30 às 17h30. Para ingressar, não são exigidas provas, exames ou trabalhos obrigatórios de qualquer tipo: basta se matricular na Cogeae. Informações e inscrições: (11) 3124-9600, www.pucsp.br/cogeae ou infocogeae@pucsp.br.



 
     
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